Arquitetura de Mitos do Viver Bem não é uma metáfora poética, mas uma disciplina de engenharia semântica.
Abaixo, defino o conceito e os pilares estruturais que compõem essa "planta baixa" do invisível.
Conceito de Arquitetura de Mitos
A Arquitetura de Mitos é o estudo e a aplicação das estruturas fundamentais (mitemas) que sustentam uma narrativa mítica, permitindo que ela funcione como um sistema de comunicação.
É a técnica de identificar como um mito é "construído", desde sua base lógica (oposições binárias) até seu acabamento superficial (fala/mito de 2º nível).
No contexto do Viver Bem, arquitetar um mito significa mapear seus componentes para transformá-los em objetos de significação (artefatos), garantindo que a mensagem original seja preservada através do design e da curadoria, sem perder a integridade histórica.
Os 5 Pilares da Arquitetura de um Mito
Para analisar ou construir a arquitetura de qualquer mito, utilizamos estes pilares fundamentais:
Pilar Etiológico (A Fundação): Define o que o mito está explicando ou "fundando" (origem do mundo, de um objeto, de um costume ou de um sentimento).
Pilar Narrativo (A Estrutura): O esqueleto temporal dividido em Situação Inicial, Complicação, Clímax e Desfecho (ou as 12 etapas do Monomito).
Pilar Lógico-Binário (A Sustentação): A identificação das oposições que o mito tenta resolver (ex: Rápido vs. Lento, Visível vs. Invisível).
Pilar Funcional (O Objetivo): A aplicação das funções de Campbell (Mística, Cosmológica, Sociológica ou Pedagógica).
Pilar Semiológico (O Revestimento): A transformação do signo histórico em "fala" mítica, conforme Barthes, onde o objeto físico torna-se o significante de um conceito maior.
Exemplo Prático: A Arquitetura do Mito de HERMES
Aplicando os 5 pilares ao mensageiro dos deuses da mitologia grega:
Fundação (Etiológico): Explica a origem do comércio, da diplomacia e da mediação entre o Olimpo (sagrado) e a Terra (profano).
Estrutura (Narrativa): O herói que, já no primeiro dia de vida, rouba o gado de Apolo (Conflito), inventa a Lira (Clímax) e faz as pazes através da troca e do intelecto (Desfecho).
Sustentação (Binário): Resolve a tensão entre Céu vs. Terra e Estático vs. Volátil. Hermes é o "deus da fronteira", aquele que transita.
Objetivo (Funcional): Função Pedagógica (ensina a astúcia e a comunicação) e Sociológica (legitima as trocas comerciais e as leis de trânsito/viagem).
Revestimento (Semiologia): Significante (1º nível): Uma lata contendo um caduceu ou uma placa de prata com sandálias aladas de Hermes.
Mito (2º nível): O artefato passa a significar o conceito de "Mobilidade Intelectual" e "Agilidade de Fluxos".
Conclusão
A arquitetura de Hermes nos diz que o mito não é sobre "voar", mas sobre a capacidade de conectar pontos distantes. No Viver Bem o produto físico é o suporte dessa conexão.
A Arquitetura de Mitos é o estudo e a aplicação das estruturas fundamentais (mitemas) que sustentam uma narrativa mítica, permitindo que ela funcione como um sistema de comunicação.
É a técnica de identificar como um mito é "construído", desde sua base lógica (oposições binárias) até seu acabamento superficial (fala/mito de 2º nível).
No contexto do Viver Bem, arquitetar um mito significa mapear seus componentes para transformá-los em objetos de significação (artefatos), garantindo que a mensagem original seja preservada através do design e da curadoria, sem perder a integridade histórica.
Os 5 Pilares da Arquitetura de um Mito
Para analisar ou construir a arquitetura de qualquer mito, utilizamos estes pilares fundamentais:
Pilar Etiológico (A Fundação): Define o que o mito está explicando ou "fundando" (origem do mundo, de um objeto, de um costume ou de um sentimento).
Pilar Narrativo (A Estrutura): O esqueleto temporal dividido em Situação Inicial, Complicação, Clímax e Desfecho (ou as 12 etapas do Monomito).
Pilar Lógico-Binário (A Sustentação): A identificação das oposições que o mito tenta resolver (ex: Rápido vs. Lento, Visível vs. Invisível).
Pilar Funcional (O Objetivo): A aplicação das funções de Campbell (Mística, Cosmológica, Sociológica ou Pedagógica).
Pilar Semiológico (O Revestimento): A transformação do signo histórico em "fala" mítica, conforme Barthes, onde o objeto físico torna-se o significante de um conceito maior.
Exemplo Prático: A Arquitetura do Mito de HERMES
Aplicando os 5 pilares ao mensageiro dos deuses da mitologia grega:
Fundação (Etiológico): Explica a origem do comércio, da diplomacia e da mediação entre o Olimpo (sagrado) e a Terra (profano).
Estrutura (Narrativa): O herói que, já no primeiro dia de vida, rouba o gado de Apolo (Conflito), inventa a Lira (Clímax) e faz as pazes através da troca e do intelecto (Desfecho).
Sustentação (Binário): Resolve a tensão entre Céu vs. Terra e Estático vs. Volátil. Hermes é o "deus da fronteira", aquele que transita.
Objetivo (Funcional): Função Pedagógica (ensina a astúcia e a comunicação) e Sociológica (legitima as trocas comerciais e as leis de trânsito/viagem).
Revestimento (Semiologia): Significante (1º nível): Uma lata contendo um caduceu ou uma placa de prata com sandálias aladas de Hermes.
Mito (2º nível): O artefato passa a significar o conceito de "Mobilidade Intelectual" e "Agilidade de Fluxos".
Conclusão
A arquitetura de Hermes nos diz que o mito não é sobre "voar", mas sobre a capacidade de conectar pontos distantes. No Viver Bem o produto físico é o suporte dessa conexão.
