Teoria segundo a qual tudo está interligado no universo; nada existe de modo estanque e isolado, independentemente da natureza das coisas ou da distância que existe entre elas.
Assim, energias podem ser movimentadas de um ponto a outro através da “malha” que une tudo a tudo.
Dir-se-ia que é justamente isso que permite ao feiticeiro, por exemplo, agir à distância sobre uma fotografia para atingir com suas feitiçarias a pessoa que nela se encontra retratada.
Para os que tiverem paciência e preparo suficiente para entender, recomendo ler o que os filósofos Stéphane Lupasco e Raymond Abellio dissertaram sobre a interdependência universal, notadamente o que diz respeito ao “Postulado da interdependência universal”, de Abellio, sobre o qual seu autor a certa altura escreveu assim:
“Na verdade, o Postulado da interdependência universal torna imediatamente inválido todo um conjunto de noções propícias à análise discursiva que se crê verídico, embora seja somente eficaz.
Admitir esse postulado é, por exemplo, renunciar a noções reconfortantes, como o acaso (objetivo ou subjetivo), o livre-arbítrio, a causalidade.
É por em questão novamente tudo o que uma idéia de limite, de fragmentação em partes, de sistema fechado implica – o que não se dá sem transtornar as noções de ordem e de tempo sucessivo, de origem e fim, de nascimento e morte.
E tal postulado, que se confunde no ponto limite com a da intersubjetividade absoluta, ou seja, a possibilidade última da interpenetração universal de consciências, ressalta imediatamente que nada se pode produzir, em ação, em alguma parte, que não esteja presente em pensamento na totalidade do universo, de maneira que o eu, ao menos em profundidade, logo deixa de ser um ponto de partida, tornando-se um ponto de apoio ao qual não se poderá retornar, senão através de um longo percurso de transfiguração durante o qual se aprenderá (pois é necessário aprendê-lo, ao mesmo tempo que vivê-lo, que é em toda sua extensão dinamizado pela anti-simetria presenteno cerne do ser).”
Na física, sobre o mesmo tema, procurar se instruir a respeito do Teorema de Bell, o qual, nas palavras de Aimé Michel, “demonstra que a existência de objetos distintos no universo físico é uma ilusão.”
“E por distintos não se deve entender somente descontínuos (…) é preciso entender aquilo que pode nos parecer objetos infinitamente afastados e sem relações recíprocas.
Por exemplo, esta estrela e meu olho, na realidade, não são separáveis, já que não possuem uma localização tal que um deles está aqui e o outro a milhões de quilômetros.
Muito ao contrário, ambos manifestam uma realidade não local, uma realidade da qual nada mais se pode saber além de que ela assegura àquilo que chamamos de universo um espécie de permanência.”
Na mesma linha, Blaise Pascal, outro físico famoso, afirmou o seguinte anteriormente:
“Sendo todas as coisas causadas e causadoras, ajudadas e ajudantes, mediatas e imediatas; e desde que todas elas se interligam por meio de um elo natural e imperceptível que une as mais distantes e as mais diferentes, considero impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, assim como conhecer o todo sem conhecer particularmente as partes.”