O SOFÁ

Por volta de 1910, o historiador inglês James Kultenbury escreveu "Decoration K" e surpreendeu seus leitores com uma revelação inédita.

Baseado numa sólida pesquisa, Kultenbury investiu sete anos na elaboração da obra que foi editada pela Mark & Brothers, com o apoio de um grupo londrino de colecionadores de antiguidades.

Nesse livro Kultenbury apresenta um sofá incomum que existia na sala de audiências do palácio da lendária princesa Zafir Zimbaiaht.

Após descrever minuciosamente o móvel, Kultenbury revela ainda que sob ele havia um tenebroso abismo.

Quando a conversa não agradava à princesa ou um certo ruído de agitação de águas lhe chegava aos ouvidos, Zimbaiaht acionava um botão e o assento do sofá se retraia numa fração de segundos.

O visitante mergulhava então numa queda livre rumo às mandíbulas dos colossais lagartos que habitavam no fundo de um poço tenebroso, em cuja dissimulada tampa almofadada o infeliz se encontrava confortavelmente sentado no instante anterior.

Em seu livro, Kultenbury estima que Zimbaiaht tenha apertado mais de mil vezes o botão durante o tempo em que viveu, na maioria das vezes para alimentar seus lagartos de estimação que se agitavam de um modo peculiar nas águas turvas do poço sempre que estavam famintos. 
Zimbaiaht morreu aos treze anos de idade quando brincava com uma serpente que a picou na língua, e Kultenbury desapareceu misteriosamente numa expedição na África, um ano e meio após ter escrito Decoration K, sua última e mais conhecida obra.