PROVA DE CARINHO

Tempos atrás, andei remexendo nuns livros velhos lá na estante do quartinho para achar uma obra de bolso de citações latinas.

Queria encontrar alguma frase de Cícero para usar num artigo que eu estava escrevendo para uma revista digital.

Folhei o livro mas não encontrei nada que caísse bem no meu texto.

Quando eu já estava saindo vi com o rabo do olho um montinho se mexendo na última prateleira da estante. Era um filhotinho de sabiá que muito provavelmente entrou pela janela pra se esconder do frio.


Imediatamente fiz um ninho de tiras de camiseta pra ele, coloquei água e farelo de pão do lado, e por alguns instantes, antes de colocá-lo no berço, aqueci o bichinho fazendo bafinho quente no peito dele com a minha boca.

Depois deixei a porta entreaberta e fui embora.

Quando voltei no outro dia a mãe do filhotinho estava com ele no ninho, uma sabiá bonita e forte, com olhos de águia.

Convivemos por alguns dias até que eles se foram numa manhã de sol, dessas que dá gosto de ver no meio do inverno.

Até hoje, de tempos em tempos o sabiazinho e a mãe dele vem me visitar.
Como prova de carinho eu dou água fresca e pedacinhos de pão para eles, e sinto uma felicidade imensa de saber que eles estão bem.

Felix Rego