DIÁRIO DA PANDEMIA: ABACAXIS

Nunca me passou pela torre de piolhos que um dia eu teria que lavar uma penca de bananas, banana por banana, uma caixa de ovos, ovo por ovo, e pacotinho por pacotinho de uma caixa de gelatinas multicoloridas.

Mas de doer mesmo é lavar abacaxi. Lavar abacaxi é o que há. Espeta todo o dedo. Isso quando não corta perto da unha que arde pra burro. E aí depois de todo esse empenho a coisa ainda pode não funcionar. O abacaxi pode estar azedo pra dedéu. Feito limão da casa da sogra que não tem açúcar que adoce. Mas isso já é outra história.


Quer ver outro abacaxi que também enche? Pois é o tal do revesamento de sapatos. Maior empenho. Um par pra andar lá fora e outro pra andar dentro de casa pra não contaminar. Valha-me a paciência do frade da barba roxa. Um baita tolete.

Mas no Japão é isso aí. Lá todo mundo tira o sapato da rua pra entrar em casa e coloca o outro. O limpinho. Só que lá não precisa ter coronavírus pro povo fazer revesamento de sapatos. Faz parte da cultura deles. Dizem que quem inventou isso foram os samurais. Será? Sei lá...

Sabe de uma coisa? Não vou mais comprar abacaxi. Não vou não. Pelo menos durante a pandemia...

Mas vou continuar firme no meu revesamento de patocos, como dizia o Macedinho.
Medão de arrastar o bicho pra dentro de casa e acabar dormindo com o inimigo.