MISTÉRIOS DO AMOR

Hesíodo, o historiador grego, jura de pé junto que Eros era filho do Caos. Se isso for verdade Eros é um deus muito antigo, um dos primeiros que apareceram em meio à batelada de deuses que posteriormente habitaram nos condomínios de luxo do Olimpo.

E é o mesmo Hesíodo quem também afirma com todas as letras que Eros sempre foi boa pinta e que as mulheres jamais o resistiram. Até mesmo as feministas se descabelavam por Eros, deusas, semi-deusas e mortais invariavelmente caiam a seus pés, todas fulminadas pela beleza do deus do Amor.

Mas que ninguém se iluda. Apesar de ter feito muita besteira, de medíocre Eros não tinha nada. Ao contrário, era inteligente e corajoso, tendo ajudado inclusive o Mundo a sair do Caos.

Entre todos os mistérios que pairam sobre Eros talvez o maior deles seja mesmo o que diz respeito aos seus progenitores.

Apesar de todos os testes de DNA feitos no Olimpo, ninguém sabe precisar até hoje quem realmente é a mãe e o pai de Eros. Há quem aposte em Afrodite com Zeus. Outros dizem que seu pai foi Ares, e há ainda aqueles que afirmam que sua paternidade provém de Hermes.

Para complicar ainda mais a situação surge o Banquete de Platão, livro no qual o filósofo apresenta Eros como filho de um deus mauricinho chamado Poros com a esfarrapada deusa Pênia, a Pobreza.

Nessa linha de pensamento, tudo teria acontecido no banquete que os deuses fizeram para comemorar o nascimento de Afrodite, para o qual Poros também foi convidado.

Embriagado de néctar, Poros acabou adormecendo nos jardins do Olimpo, enquanto Pênia o espreitava à distância, com seus olhos esbugalhados e ávidos de desejo. Em dado instante, a Pobreza não se conteve e resolveu seduzir o deus mauricinho enquanto ele dormia, tendo engravidado de Eros.

Gerado na festa natalícia de Afrodite, Eros incorporou-se à legião dos seguidores daquela deusa, e também tornou-se um amante da beleza já que, além do mais, Afrodite sempre esteve entre as divindades mais belas do Olimpo.

Mas Eros é sempre um deus pobre. E também nada tem de belo e delicado como a maioria imagina. Eros é grosseiro e sujo. Dorme ao relento junto às portas, baixo as estrelas e sobre a terra nua. Por outro lado, é extremamente sagaz e está sempre a espreita de belos corpos e almas que aprisiona sem a menor cerimônia com seus ardis altamente elaborados. Eros é um sedutor terrível em torno do qual sempre há intriga, e também não é mortal nem imortal.

Quando tudo anda bem surge radiante, em plena vida, mas pode morrer no instante seguinte, para renascer novamente mais tarde e assim sucessivamente. Tudo o que conquista lhe escapa das mãos, o que faz dele um deus que nunca é totalmente rico nem totalmente pobre. Assim é Eros, o misterioso deus do Amor, segundo Platão.